sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Cogumelos exigem precaução

Já ouvi dizer: «todos os cogumelos podem ser comidos, mas alguns só se comem uma vez». Neste período do ano, o consumo de apetitosos cogumelos com nomes como míscaros, sanchas, tortulhos aumenta. Mas muita gente ignora os cuidados a ter e o aspecto de espécies suspeitas de serem venenosas.

Segundo a notícia Dois mortos e oito vítimas por causa de cogumelos, três mulheres de Pombal foram internadas, ontem, quinta-feira, no Hospital dos Covões, em Coimbra, vítimas de intoxicação por ingestão de cogumelos venenosos. Em duas semanas, há já dez ocorrências na região Centro. Duas pessoas morreram.

É bom não esquecer que a ingestão de espécie venenosa provoca lesões muito graves e obriga a transplantes hepáticos de urgência.

Haja prudência e, na duvida, não arrisque a vida.

Ler mais...

Um lógico apoiante da eliminação do sigilo bancário

Depois de em post anterior ter sido referida a antinomia entre transparência e segredo, e na sequência da notícia "Nunca pedi dinheiro a ninguém e nunca recebi dinheiro de ninguém", garante Vara deduz-se logicamente que a pessoa referida tem todo o interesse em que haja transparência na sua situação e, para provar o que aqui diz, que defenda a abolição do sigilo bancário, pois sem ele ficará tudo claro e será confirmada a sua afirmação que dá título à notícia.

No entanto, outra notícia Vara assegura que não cometeu crime já é de mais difícil credibilidade, porque tudo depende do seu interesse em se confessar ou não em público e da sua noção daquilo que deve ser considerado crime. E ao ler-se o artigo Corrupção, habituação recorda-se um ditado com ressonância parecida « a ocasião faz o ladrão» embora o significado não se ajusta muito bem. Mas a habituação embota a perspicácia da avaliação dos sentimentos, e dos comportamentos.

E a propósito de habituação à corrupção, há quem afirme que a Face Oculta se refere a algo comezinho", "banal", "corriqueiro", "trivial", "usual", "vulgar". Parece que andamos todos ludibriados com «bocas foleiras» de nova criminalidade como "homicídio de carácter", "assassinato político", "assassínio de carácter", "homicídio por audiovisual", etc. São «argumentos» demasiado demagógicos e sem a mínima consistência, usados quando um político é apanhado com a boca na botija sem qualquer hipótese de segredo ou transparência que lhe possa valer. E com essas, lá desaparece um resto de possível confiança que ainda pudesse existir..

Ler mais...

Segredo ou transparência?

Há poucos dias era aqui referida a contradição entre transparência e segredo. Espantosamente, aqueles que mais defendem o «segredo» são os mesmos que noutros cenários tecem loas, em tom firme a querer ser convincente, à «transparência».

Decidam claramente o que é que querem se o segredo, profissional, de justiça, bancário, de privacidade, etc. ou se a transparência. Mas tenham a certeza de que, sem a transparência, haverá sempre suspeita, dúvida, boatos, calúnias, que podem ofender eventuais políticos que estejam inocentes dos males de que hoje tanto se fala.

Depois destas considerações tem de se tirar o chapéu à notícia BE pergunta a Silva Pereira quanto é que o Estado gasta em publicidade nos media. Em período de dúvidas acesas acerca de corrupção, de tráfico de influências, de trocas de favores, sempre com prejuízo para o Estado, para todos nós, será significativa a resposta que for dada à pergunta do referido partido da República.

Para ler a notícia basta fazer clic no título da mesma.

Ler mais...

Fim da cultura de impunidade

Peço desculpa se vos induzi em erro com este título seco e pouco claro. Com certeza que não é cá! Não queriam mais nada? Será no Afeganistão se a promessa feita na cerimónia de investidura for cumprida, em que Karzai promete “fim da cultura de impunidade”.

Mesmo que não consiga cumprir plenamente, já é uma declaração de que essa deficiência existe e há vontade para a eliminar. Enfim é uma lição, para vários Países em que o nosso está incluído, que se dizem mais civilizados do que o Afeganistão, mas em que há os intocáveis, os indispensáveis, os essenciais, a elite da classe política, dos quais não se conhecem condenados. Ou será que, por cá, todos os políticos são uns santos bem comportados, sem mácula de pecado de qualquer espécie, como o de corrupção, de enriquecimento ilícito, de tráfico de influências, abuso de poder, má gestão do dinheiro público, etc., etc.

Ler mais...

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Terceiro Aniversário - 3

Transcrição de e-mail recebido da Amiga e colega do Sempre Jovens, Maria Letra, com um poema alusivo à data.

Desta minha forma de homenageá-lo a Si e ao Seu trabalho em "Do Mirante", "Do Miradouro", fará o que muito bem entender. Aí vai, portanto, com um grande beijinho que sai do meu coração:

Um gesto de Amor ...

Parabéns, caro João,
Por este dia de festa!
São actos do coração
Que movem outras, como esta,

De criar um Miradouro
E um Mirante, também,
Dois blogues como ouro
Citando o que mais convém.

E o que me surpreende,
E que não vejo em nenhum,
É escrever sôbre o que sente,
Sem tomar partido algum.

No princípio, meu amigo,
Talvez pela minha idade,
Não queria 'levar consigo'
A chamar-me à realidade.

É que aquilo que escrevia,
Activava o meu pesar
De coisas que eu insistia,
Não voltar a recordar.

Estava farta, estava cheia,
De tanta corrupção
Que sabia, volta e meia,
Abalar minha Nação.

Mas foi aqui, neste espaço,
Que despertei, novamente,
Daquele meu grande cansaço
E voltei a estar presente.

Presente sim, por AMOR
Lado a lado com o João
E com aqueles em que dor,
Seja a sua condição.

Parabéns, meu querido Amigo,
Deus lhe deu um grande dom.
Eu estarei sempre consigo,
Por ser um Homem tão bom.

DISSE BOM e não bonzinho,
Que m' entenda, por favor.
Parabéns querido amiguinho!
Lute sempre, pelo Amor!

Maria Letra

Ler mais...

Terceiro Aniversário - 2

Transcrição do post do Sempre Jovens da autoria de Ana Martins com imagem de Fernanda Ferreira



HOJE HÁ FESTA NO SEMPRE JOVENS, CELEBRA-SE O 3º ANIVERSÁRIO DOS BLOGUES DO NOSSO COLEGA E AMIGO JOÃO SOARES.

ASSIM É O JOÃO!

Tal Qual nenúfar boiando
Nas águas de um lago feliz,
Assim é o João
Sensato em tudo o que diz.

De coração muito nobre,
Age sempre com clareza,
Estima o rico, estima o pobre
E é amante da natureza.

Três anos de trabalho e luta
No Mirante e Miradouro
Fazem dele a voz que escuta
O sentir de qualquer povo

Líder do Sempre Jovens,
De uma equipa muito unida
Que hoje aqui vem reforçar
O quanto o estima e admira!

PARABÉNS JOÃO!

ASSINADO: A EQUIPA DO SEMPRE JOVENS

Ana Martins
Escrito a 17 de Novembro de 2009

Ler mais...

Terceiro Aniversário

Completam-se hoje três anos de vida deste espaço e tive esta simpática surpresa de colegas do blogue Sempre Jovens, que me deixa muito sensibilizado. Agradeço a todos, principalmente, aos autores da ideia.

Imagem construída por Fernanda e José

Depois destes três anos, apesar de problemas técnicos e outros, foi mantido o entusiasmo inicial e a média mensal de 51 posts. Devo isto ao estímulo dos visitantes e comentadores que, tendo em consideração os temas predominantes não serem do interesse de pessoas menos esclarecidas e interessadas, constituem uma boa «claque», em qualidade e quantidade. A todos agradeço o apio que recebi.

Este blogue nasceu há três anos e, devido à escassez de capacidade técnica, foi considerado morto logo após o primeiro post, só vindo a renascer passados dois meses, por mero acaso e pela mão de um amigo (então, ainda mal conhecido) a quem devo grandes e frequentes ajudas. Este desaparecimento fez nascer no mesmo dia um gémeo com o qual tem coabitado pacificamente, embora com vocações ligeiramente diferentes, mas que lhe roubou o título inicial pelo que, ao renascer, teve de ver o seu nome alterado, mas mantendo o mesmo significado.

Ao entrar no quarto ano de existência, espero poder continuar com a mesma regularidade de produção e a merecer a simpatia dos visitantes e comentadores que não perco de vista sempre que aqui coloco qualquer post. Sois vós o meu grande estímulo.

Ler mais...

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Reduzir a população melhora o ambiente

O relatório Estado da População Mundial 2009 do Fundo das Nações Unidas para a População, hoje divulgado, defende que conter a população ajudaria no combate às alterações climáticas, podendo ser mais eficaz do que construir milhões de aerogeradores para a produção de electricidade a partir do vento.

Segundo o relatório, “reduzir o aumento da população ajudaria a aumentar a resiliência da sociedade às alterações climáticas e a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa no futuro”. Já os antigos espartanos, da velha Grécia, procuravam conter a população eliminando as crianças menos robustas e com deficiências bem como os adultos e idosos que não pudessem produzir o necessário para a sua subsistência. Esse controlo não estaria distante dos projectos nazistas e as organizações actuais com ambição de criar uma república única mundial, preparam tudo discretamente para a criação de uma sociedade com uma pequena elite de cérebro desenvolvido e eficiente e a maioria da população com músculo e um mínimo de cérebro.

Escrevi num comentário em 22 de Outubro de 2008 um esboço de antevisão de tempos terríveis. Dada a preocupação monetarista de analisar os problemas, o governo português, e certamente os dos outros países, irão dentro em breve reduzir a quantidade de idosos. O humor negro, que já não é tão negro por se mostrar realista e ter agora mais peças do puzzle colocadas pela PONU permite imaginar que da primeira vez que um reformado vai ao médico ele receita, seja qual for a doença, uma aspirina (que nada cura) e quando o doente lá voltar ele aconselha um chá quentinho ao deitar, com um comprimido que ele dá e, ao outro dia, deixa de estar doente, de ter dores e... até deixa de respirar!!!

Mas isto não é pura imaginação, pois em órgãos estatais já se prepara legislação para retirar aos doentes crónicos todo o apoio para prolongar a vida, apenas dando medicamentos para tirar as dores. Isto já será uma espécie de eutanásia subtil, meio escondida. Não esqueçamos que, no último congresso do PS, a proposta do presidente do partido versava legislação sobre a eutanásia

Com tais medidas poupam as despesas de hospital, de medicamentos e as pensões de reforma!!!

O futuro é muito incerto, embora os políticos possam usufruir de regalias especiais, como as que já têm dos «tachos dourados» e das «reformas milionárias» acumuladas.
Será que o povo irá acordar antes e exigir justiça igual para todos.

Ler mais...

Derrapagem da ponte Europa em Coimbra

Segundo notícia de hoje, a obra da ponte Europa sobre o Mondego, em Coimbra teve uma derrapagem de 288%, isto é, custou quase o quádruplo do preço previsto no orçamento (3,88 vezes). Perante a envolvência do caso Face Oculta, como é provável que não se trate de um caso isolado, surgem as perguntas:

- Como foi distribuído esse excesso de custo?
- O prejudicado foi Portugal, fomos todos nós, e quem foram os beneficiados?
- Em cada decisão imprevista quantas entidades foram bafejadas pelos presentes e atenções?
- E quem beneficiou para que o projecto inicial tivesse sido aprovado sem contar com os «pormenores» que foram aditados durante a construção?

Mas tudo isso está ao abrigo do «segredo» profissional, de justiça, bancário, de privacidade, etc. E, aberrantemente, os que nestes casos, mais defendem o «segredo» são os mesmos que noutros cenários tecem loas, em tom firme a querer ser convincente, à «transparência».

Decidam o que é que querem, porque transparência e segredo não podem casar-se, nem pelo «casamento» que querem por aí criar. Há que escolher: ou segredo ou transparência, com a certeza de que, sem esta, haverá sempre suspeita, dúvida, boatos, calúnias, que podem ofender eventuais políticos que estejam inocentes dos males de que hoje tanto se fala.

Ler mais...

Portuguesa mulher do ano

Nos tempos que estão correndo, as notícias quase nos inibem de dizer com orgulho que somos portugueses, dado que quanto a corrupção estamos entre a Dominica e o Botswana, segundo os índices da Transparency International que resultam da avaliação anual de analistas e homens de negócios, bem como de organizações como o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial, os Bancos de Desenvolvimento da África e da Ásia e centros de pesquisa como o Economist Inteligence Unit e o Global Insight. (Ver aqui e aqui).

Mas, como nem tudo está nas mãos desajeitadas dos políticos (salvo eventuais excepções), há notícias que nos ajudam a levantar a cabeça e olhar para a frente com uns raios de esperança no horizonte. É o caso de Maria do Céu da Conceição, de 32 anos, que foi eleita Mulher do Ano 2009 no Dubai na categoria de Acção Humanitária, pela "Emirates Women Magazine", dos Emirados Árabes Unidos, devido à acção desenvolvida à frente do Dhaka Project, uma organização não governamental (ONG) que actualmente apoia 600 crianças, por ela criada depois de ter sentido um valente murro no estômago quando, em Abril de 2003, visitou pela primeira vez Dhaka, capital do Bangladesh. Na companhia de algumas religiosas, conheceu um orfanato e um hospital onde as condições de higiene e salubridade estavam muito aquém dos mínimos a que estamos habituados no Ocidente e daí avançou numa acção humanitária muito meritória agora reconhecida publicamente.

É sempre com muito prazer que nestas páginas se realçam factos que elevam a auto-estima dos portugueses e são uma réstia de esperança para o Portugal de amanhã. Oxalá surjam mais e em diversos sectores. Oxalá que surjam também na política homens com elevado amor a Portugal e aos portugueses e moralizem o regime eliminando por qualquer forma os corruptos, os que não vivem para o País mas sugam impunemente a seiva de todos quantos produzem e pagam impostos.

A história de Portugal tem mostrado figuras de talento e dedicação ao País que, nas suas épocas, conseguiram dar uma guinada ao leme a fim de corrigir a rota para o rumo certo. É disso que estamos necessitados.

Ler mais...

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Destapar é preciso

A CP e a REFER usaram cartões de crédito das empresas para pagar um almoço de homenagem à ex-Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, em vésperas de final de mandato do governo anterior, conforme notícia de hoje. Segundo esta, cerca de 50 gestores de diversas empresas públicas de transportes ter-se-ão reunido, no passado dia 23 de Outubro, num almoço de homenagem à então governante.

"Não estando em causa a legitimidade de, um qualquer grupo de cidadãos, promover encontros de natureza privada deste tipo, e não tendo o referido encontro, segundo as mesmas notícias, envolvido a reflexão de quaisquer matérias de natureza profissional ou outras eventualmente relacionadas com o sector dos transportes, estranha-se que o custeio do referido almoço tenha ficado a cargo de três empresas públicas do sector, através do recurso aos respectivos cartões de crédito, das quais estarão confirmadas a CP e a Refer".

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda decidiu questionar o Governo, através do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, se considera "adequado o o uso de meios de pagamento de actividades empresariais, no caso vertente, públicas, para financiar despesas de natureza privada e pessoal, por iniciativa dos seus próprios gestores"

Isto será considerado corrupção? Será pagar favores? Parece que o BE está a desempenhar o papel referido no artigo transcrito no post Gente com honra é indispensável. É fundamental restaurar o senti da honra, das responsabilidades e do Estado. É preciso retirar a capa que encobre actos menos dignos. É preciso destapar.

Ler mais...

Face oculta ou tudo às claras?

"Ética republicana"
Jornal de Notícias, 17 de Novembro de 2009, por Manuel António Pina

Mário Soares considera que tudo o que tem vindo a público relacionado com a investigação criminal do caso "Face Oculta" não passa, enquanto questão política, de um "problema comezinho".

Tenho por aí um dicionário de sinónimos e, por via das dúvidas (as palavras têm ultimamente o péssimo hábito mudar de sentido de um dia para o outro), fui ver se "comezinho" continuaria ainda a significar o mesmo. Pelos vistos, continua: significa "banal", "corriqueiro", "trivial", "usual", "vulgar".

É difícil, pois, não estar de acordo com Mário Soares. Um assunto que envolva, como o presente caso, corrupção, tráfico de influências, manipulação de concursos públicos envolvendo trocas de dinheiro e de favores entre gestores de nomeação política e empresários "amigos", e até alegações, sustentadas no despacho de um juiz, de crime de atentado ao Estado de Direito, tornou-se de facto hoje, em Portugal, coisa politicamente "comezinha", "trivial" e "vulgar".

Custa a crer é que alguém como Mário Soares, que tão repetidamente convoca a "ética republicana", reconheça isso sem o mínimo sobressalto ético ou republicano.

NOTA: Hossana!!! A vida pública em Portugal está a clarificar-se a tornar-se transparente., límpida como água corrente em rio não poluído. O decano dos políticos portugueses vem dizer publicamente que entre os políticos é comezinha a prática de tudo isto a que vimos assistindo. Em questões de política não devemos pôr em dúvida a sua douta opinião. Portanto eles todos são o que são!
Mas há um ditado que diz que «ninguém é bom juiz em causa própria». Será esse o caso? Mas não há motivo para receios porque, por cá, a Justiça para os políticos é complacente como certos hímenes, é tolerante, compassiva, permissiva, não funciona como na Coreia do Sul em que o ex-presidente Chun Doo Hwan foi condenado à morte e o ex-presidente Roh Tae-woo foi condenado a 22 anos e meio de prisão, nem como no Peru onde o ex-presidente Fugimori foi condenado, ou como no Japão, ou como em França onde o filho de Miterrand foi condenado por crime no Angolagate, o ex-presidente Jacques Chirac também está a contas com a Justiça, etc.
Pode o Sr ex-presidente português estar descansado, que os juízes não o molestarão nem aos seus colegas de carreira. Aliás são tantos que a Justiça não terá capacidade para fazer o julgamento antes de os crimes comezinhos prescreverem e, entretanto, a Natureza se encarregará de os dispensar de esperarem a leitura das sentenças.
Tudo gente «boa», habilidosa e esperta, constitui um belo exemplo para os portugueses se dedicarem a coisas tão comezinhas mas tão proveitosas. Assim, Portugal se tornará num País promissor e modelo internacional.

Ler mais...

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Gente com honra é indispensável

Esta luta contra a corrupção e o enriquecimento ilícito compete a cada português, não se compadecendo, por isso, com arrogâncias, com manobras escuras e com o saque a valores monetários ou outros. As pessoas honradas não podem nem devem cruzar os braços e esperar que outros resolvam o problema e lhes coloquem na mão os resultados obtidos. É uma luta de gente honrada que não pode adiar nem cruzar os braços. O adiamento tem produzido o avontade crescente que chegou ao escândalo actual. Deixar de colaborar no combate a esta situação é ser conivente com ela.

Uma questão de honra
Jornal de Notícias. 16 de Novembro de 12009. Por Mário Crespo

Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.

Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda.

Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão.

Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes. A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais.

Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos. Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder.

Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices. E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer.

Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis.

E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa.

Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo.

Ler mais...

Oportunidade para purificar o regime

É saudável alimentar um pouco de optimismo mesmo que seja preocupado ou comedido, porque um pouco de esperança em melhorias ajuda a suportar as vicissitudes da vida.

Actualmente, a vida pública tem uma oportunidade que deve ser aproveitada para as convenientes reformas. Há sinais de que os partidos da oposição deixaram de se preocupar com apenas dificultar a vida do Governo, e passaram a assumir um compromisso para com o País, contribuindo para resolver os mais graves problemas que nos vêem dificultando a existência.

Sendo o ensino um sector a merecer o máximo cuidado, por ser o alicerce de qualquer evolução e tendo os professores sido tratados com tanta hostilidade e beligerância, é agradável encontrar nos jornais este título «Bloco Central pode resolver avaliação dos professores». Certamente que os outros partidos ajudarão a limar algumas arestas por forma a serem conseguidos os melhores resultados, para bem de Portugal.

Sendo o sector agrícola de grande importância, quer por tradição, quer por ser factor de emprego, quer pela necessidade de substituir importações, quer pela contribuição para as exportações, é positivo ver a notícia
«Paulo Portas apresenta “plano de defesa do sector agrícola”» sugerindo medidas para obter bons resultados numa actividade que tem sido tão desprezada. Oxalá haja um entendimento geral neste campo.

No momento actual é chocante ver que a corrupção e o enriquecimento ilícito atingiram uma escala escandalosa, por pessoas de baixa formação moral terem abusado da imunidade e impunidade que tem sido cobertura para estes crimes, com a conivência do PS que se recusou a aproveitar as iniciativas de João Cravinho para encarar o combate a esta praga. Para encarar este problema de forma eficaz e decisiva, também devemos considerar muito positiva a convergência de vontades já manifestada pelos partidos mais pequenos, como se conclui das notícias «BE vai propor quatro projectos de lei contra a corrupção», «BE propõe à AR figura do "crime de enriquecimento ilícito"» e «Jerónimo: MP precisa de investigar "sem ingerências"».

Estes são sinais de que os partidos parecem dispostos a colocar os interesses nacionais numa prioridade mais alta do que vinha acontecendo. Têm sido acusados de usarem de egoísmo e de ambições pessoais, desprezando o País, mas agora dão mostras de que estão a querer alterar comportamentos. Oxalá que sim que tenham resultados e não desistam.

Os portugueses precisam que os eleitos encarem com dedicação os seus problemas de saúde, segurança, justiça, emprego, redução das despesas públicas (reduzindo o pessoal para o mínimo indispensável), eliminando a burocracia abusiva e bloqueadora que acaba por ocasionar a corrupção e outras formas de defraudar o Estado, etc.

Ler mais...

As zonas urbanas convivem mal com a chuva

Na Praça Sá Carneiro, o ponto de trânsito talvez mais intenso da vila de Cascais, havia hoje o lago de que as fotos dão uma imagem depois do momento mais grave. Diz quem por ali mora que quando chove acontece aquilo devido a deficiência das sarjetas.










Sobre o trânsito em Cascais, com e sem chuva, já foram feitas aqui várias referências, sempre com o espírito de alerta e de ajuda para melhorar:

- Sarjetas, chuva e técnicos de hidráulica
- Utilidade das rotundas
- Rotundas perigosas
- Excesso de velocidade ou velocidade eexcessiva?
- Trânsito em Cascais
- Segurança rodoviária. Sonho impossível
- Peões multados nas passadeiras

Ler mais...

Um Partido muito partido

Em 29 de Julho de 2008 escrevi no post «Partidos, para que servem?»:

«O PSD, até agora o maior partido da oposição, teima em não se aglutinar em torno de uma directriz respeitada pelos principais militantes. Quando se pensa que eles vão ganhar juízo, logo surge a desilusão. Ao derrubarem Santana, elegeram Marques Mendes, mas, em vez de o apoiarem convictamente, depressa começaram a campanha para o derrubar. Elegeram Menezes, com o apoio da maioria, mas logo os «barões», incapazes de acção, mas que se consideram donos do «partido», começaram a cortar-lhe as pernas e, o mais grave, quando as eleições legislativas estavam a curta distância. Manobraram à vontade e das eleições internas saiu vencedora Ferreira Leite, uma escolha que por ser democrática devia ser respeitada. Mas os donos dos cordelinhos, não podem estar quietos sem brincar com eles e estão já a começar a puxá-los novamente. Para quê? O que pretendem para o Partido e para o País? Que resultado desejam obter nas próximas eleições legislativas? Ao menos lutem para não ficarem abaixo do terceiro lugar!!!»

Apesar de não lhe darem apoio nem tréguas, deixaram a líder manter-se até às eleições, mas logo iniciaram as manobras para sua substituição. Não aprenderam que a união faz a força e cada vez se fragmentam mais, sem sentido de equipa para benefício do partido e muito menos para bem de Portugal.

Embora não goste de me referir a casos pontuais publiquei aqui o post «PSD - Políticos Sensatos Desapareceram?» e agora, por se enquadrarem na mesma tela, refiro o artigo de jornal «Ribau Esteves ataca Aguiar-Branco por causa de agência na AR» ao qual se seguiu outro «Santana faz críticas a Aguiar Branco», ambos dirigidos ao líder parlamentar do respectivo partido.

Costuma dizer-se que os políticos gastam as suas energias nas pequenas lutas inter-partidárias, mas estes casos evidenciam uma patologia mais curiosa e lamentável e uma irracionalidade na pulverização da própria equipa como se todos fossem aliados dos partidos rivais contra os seus supostos companheiros de luta por um hipotético objectivo comum pré-definido.

E assim vai Portugal, esquecido por aqueles que deviam sentir a responsabilidade de o guiar pelos melhores caminhos para o progresso e o desenvolvimento social e económico. Portugal está tão debilitado que é desejável que todos os esforços sejam orientados para os problemas essenciais, fundamentais, inadiáveis, urgentes, deixando de lado as pequenas coisas, de importância reduzida, que muitas vezes não passam de pequenas ambições pessoais ou de meros caprichos de vaidade.

Ler mais...

Qual é o sexo dos anjos?

Transcrição de um texto oportuno e muito bem observado

Discussões bizantinas

CM. 16 Novembro 2009. Por Carlos de Abreu Amorim

Reza a lenda (mais do que a história ensina) que quando os turcos estavam na iminência de conquistar Constantinopla (Bizâncio), em 1453, o que mais inquietava os bizantinos era responder a uma intrincada questão: Qual é o sexo dos anjos? Verdadeiro ou não, o episódio ficou como referência máxima de um debate ocorrido na pendência de um problema grave e cuja inutilidade o torna ridículo.

Querer discutir o casamento gay com o País submerso em problemas que ninguém resolve, quando temos um primeiro-ministro engolido por um lamaçal jurídico e político, no momento em que ministros pontapeiam publicamente a separação de poderes e fazem as acusações mais graves de que me lembro ao poder judicial, parece ser um favor desvelado a quem quer camuflar o que é importante.

Ler mais...

domingo, 15 de Novembro de 2009

Reguladores independentes e isentos

Segundo notícia do Público o CDS-PP quer alterar regras de nomeação e mandatos dos reguladores e vai apresentar na AR, segunda-feira, uma proposta com regras que “são importantes para a actividade de regulação, economia, empresas e liberdade de concorrência” de que se apresentam os tópicos seguintes:

- “As regras têm que ser claras para salvaguardar o papel, a independência e a capacidade efectiva de regulação de mercados das entidades reguladoras”.

- Os reguladores devem ser nomeadas pelo Governo, mas com “a intervenção do Presidente da República e com um processo de audição na Assembleia da República”, a fim de terem “uma maior independência”.

- “Não permitir que alguém saia directamente duma função governativa para uma entidade reguladora”. Também se deve garantir “a limitação de mandatos”.

- “Em casos de erros manifestos e graves por parte dos reguladores é preciso garantir a existência de um processo de impugnação”.

Parece também que:

Para garantir a máxima independência do Poder político, os reguladores devem ser pessoas competentes e, tanto quanto possível, sem actividade partidária conhecida nos seis anos mais recentes. De preferência, em vez de nomeação pelo Governo com base em simpatias partidárias, deve iniciar-se a selecção a partir de concurso público, com normas bem claras e definidas. Este princípio deve substituir o de todas as nomeações subjectivas para cargos públicos, normalmente viciado e discutível.

Deve garantir-se a capacidade de reclamação e recurso das decisões do regulador para o Supremo Tribunal Administrativo.

Ler mais...

sábado, 14 de Novembro de 2009

Intervalos nas malhas da lei

Embora a lei seja geralmente aplicada a todos os cidadãos, há excepções, há os «essenciais», os imunes e impunes, os privilegiados, os protegidos. Veja-se o artigo Noronha manda destruir escutas a José Sócrates e aqueles que se lhe referem, abaixo linkados.

Porém, vistas as coisas por outra óptica, mais suave e talvez mais realista, o juiz tem razão: nenhum político merece ser ouvido, principalmente durante a campanha eleitoral em que o tempo é passado a falar sem nada dizer a não ser falsas promessas que são definitivamente esquecidas no dia das eleições!!!

Artigos relacionados:

- Destruição polémica
- Reacção de Sócrates divide politólogos
- Controlinveste desmente renegociações com o BCP
- João Palma diz que qualquer decisão pode ter um recurso
- Juiz ouviu Paiva Nunes durante 16 horas

Ler mais...

Dança dos poleiros

Depois de lermos Guerra Junqueiro e de olharmos em redor para o actual regime, verificamos que pouco mudou imperando o lema ‘cada vez mais na mesma’, os governantes consideram-se donos deste pequeno quintal e como tal, com legitimidade para gerirem o jardim e as hortas a seu belo prazer e interesse. Os interesses nacionais são esquecidos porque acima deles colocam os interesses individuais, do partido e dos familiares e amigos. As notícias dos últimos tempos são prova concludente disto.

E, dentro deste estilo de vida pública, a dança de poleiros é uma constante entre aqueles que, em jovens, se inscreveram nas «jotas» como início de uma carreira frutuosa e, depois, são considerados os portugueses mais válidos para todos os lugares bem remunerados. Mesmo que o desempenho tenha sido deficiente, ou até por isso, são guindados a outros poleiros, por norma de melhor remuneração, o que corresponde ao ‘castigo’ do «pontapé pela escada acima».

Agora, as notícias mais recentes mostram dois casos. Um diz que tendo o director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), Elísio Summavielle, ido para Secretário de Estado da Cultura, foi substituído por Gonçalo Couceiro, que era director da direcção regional do Ministério da Cultura no Algarve. Tudo em família, assente em confiança política. Mas será ele o português mais qualificado para o desempenho do cargo, com especial dedicação aos interesses nacionais? Terá novas ideias para modernizar o serviço a cargo do Instituto?

Parece que o seu maior trunfo é a lista de poleiros por que passou por ser simpático para os mais altos dirigentes do partido, pois de ideias novas para o Instituto afirmou que a futura direcção do Igespar vai assentar "num trabalho de continuidade apoiado nas regras da nova lei do Património". Portanto nada de inovação, nada de ideias definidas para modernizar. Nada de novo na frente ocidental!

Outro caso é o da nomeação aprovada pelo Conselho de Ministros do ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Filipe Boa Baptista, para o cargo de vogal do conselho de administração da Anacom. É mais uma mudança de poleiro na sequência da «carreira política» iniciada com a inscrição na «jota».

E o curioso é, como tem vindo a público, muitas dessas inscrições foram uma forma de ultrapassar as dificuldades nos estudos de que resultou mais tarde, após ocuparem um poleiro que proporcionou um favor a uma das novas universidades, terem recebido desta um diploma de licenciatura. Até parece já ter ocorrido terem recebido diploma de pós graduação com data anterior ao da licenciatura. E consta que há vários casos. Mas nem quero acreditar!

Sendo um dos primeiros degraus desses génios o cargo de assessores, admira como eles não tenham evitado tantos erros dos governantes que deram origem a diversos recuos, dos quais resultou desprestígio e custos em tempo e dinheiro e incómodo para os cidadãos. Mas a progressão na «carreira» aconselhava a dizer «yes sir» e nunca contrariar os chefes, sendo perigoso alertar para os erros que estavam a ser preparados. Mas eles teriam consciência desses erros potenciais?

Quando será que estes cargos passarão a ser desempenhados pelas pessoas mais válidas do país, sem os vícios e manhas dos políticos, capazes de colocarem os interesses nacionais acima das politiquices, das lutas e intrigas interpartidárias a pensar nos votos?

Ler mais...